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Samuel da Mata Ver Perfil
Nasceu a 17 Outubro 1965
(Aracaju)

BIOGRAFIA



Nasci e cresci pobre, mas não tenho vergonha disso. Sofri na pele as injustiças da

pobreza, mas mesmo assim vivi feliz pois não conhecia a sua verdadeira fonte.

Saudei heróis forjados na podridão, mas vestidos no linho fino do engodo e da

publicidade paga. Sobrevivi milagrosamente à miséria por puro lampejo da graça divina.



Sonhei com um mundo livre e justo. Acreditei que as oportunidades eram

uma questão de esforço e que o sucesso só dependia da capacidade e do

desprendimento. Pensei que os homens bons transformariam o mundo e que

as injustiças seriam aniquiladas pela educação e a sensatez



Infelizmente, a maturidade revelou-me que os pobres são mais pobres de

espírito que de oportunidades. Que os ricos, pra se fazerem ricos, já

venderam a alma. Que as oportunidades não surgem, são compradas às

escuras. Que a decência, quase sempre, sucumbe à propina e ao

favorecimento. Que os idealistas se vendem ao poder. Que os justos não

subsistem no trono. Que a caridade quase sempre não é cega. Que a

violência e a miséria são orquestradas do trono. Que a maior abnegação

pode ter a infâmia como troco. Que as pessoas amam mais a imundície que a

dignidade. Que os insanos são mais aplaudidos que os sensatos. Que a

morte é triste, mas sem ela os homens seriam eternos escravos de seus

páreos.



Amo e temo a Deus acima de tudo. Hoje eu luto, não mais

para reformar o mundo, mas para não ser sucumbido por ele. Sofro para

provar que nem toda dignidade está à venda. Combato a indecência e

imoralidade, mesmo sabendo que perderei a batalha. Quero morrer com

orgulho, não de ter vencido a guerra, mas de ter lutado sempre em defesa

do que é correto. Não quero ser lembrado por ter mudado o mundo, mas

apenas por não ter feito coro com aqueles que o tornam fétido.



Algum dia, espero que ainda longe, esta será apenas mais uma página

esquecida e provavelmente apagada por falta de manutenção ou custeio.

Todavia, antes que este dia chegue, quero fazer transbordar nela as

inquietudes da minha alma; fazer soar o clarim da vida, sem ter a

presunção de ser o dono da verdade, mas convicto de que proclamei meus

erros como alerta aos jovens e chamei à reflexão os pensadores em busca

de uma vida mais digna e próspera para as gerações vindouras.
 
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