Wildiley Barroca

Wildiley Barroca

Poeta, Jurista e observador do quotidiano, vem colaborando regularmente em revistas e jornais nacionais e estrangeiros, com trabalhos na Revista Batê Mon e nos jornais digitais do país e do estrangeiro.

1991-03-20 São Tomé e Príncipe
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Tempo

Quisera eu ser as ondas do mar,
e, inteligentemente, os obstáculos contornar,
para o meu destino — sem par — enfim alcançar.

Lembranças daquele tempo
em que, ainda jovem e um tanto sedento,
palcos de relevo surgiam ao vento
e ações de juventude davam rebento.

Volta,
oh tempo,
perdido nas conjunturas do teu próprio movimento,
levado sempre ao sabor do vento.

Tempo,
quisera eu poder-te tocar,
segurar-te um pouco,
fazer-te abrandar,
para que nenhum instante
viesse a se apagar.
Mas corres, implacável,
como rio imparável,
levando sonhos, moldando vidas,
deixando marcas incontidas
na memória — doce e vulnerável.

E eu,
navegante desta travessia,
procuro, em cada novo dia,
as pegadas da sabedoria
que o teu sopro deixou no ar.
Oh tempo,
se um dia voltares devagar,
traz contigo o brilho de outrora,
para que eu possa recordar
e, quem sabe, reinventar
o que a vida deixou lá fora.

E assim sigo, atento,
entre o passado e o firmamento,
a aprender — no teu movimento —
que viver é sempre recomeçar.

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