Cacaso

Cacaso

Cacaso, pseudônimo de Antônio de Pádua Danças, foi um poeta e crítico literário brasileiro, figura proeminente da poesia marginal. Sua obra é marcada pela ironia, pelo humor e pela irreverência, abordando temas do cotidiano urbano, das relações sociais e da própria condição humana com uma linguagem coloquial e acessível. Ele se destacou por sua capacidade de mesclar o lírico com o prosaico, o reflexivo com o divertido, criando uma poesia que dialogava diretamente com o leitor. Sua produção literária, embora concisa, deixou uma marca significativa na poesia brasileira contemporânea, influenciando gerações posteriores pela sua autenticidade e pela forma como desmistificou a linguagem poética, aproximando-a da vida.

1944-03-13 Uberaba
1987-12-27 Rio de Janeiro
131866
9
41

Refém

Eu sempre quis requebrar
só me faltou poesia
eu nunca soube rimar
mas sempre tive ousadia
nunca joguei o destino
e nem matei a família
a minha sorte na vida
se escreve com C cedilha
Eu nunca tive ideal
nunca avancei o sinal
nem profanei minha filha
Eu me perdi muito além
sendo meu próprio refém
na solidão de uma ilha

Eu sempre quis acertar
só me faltou pontaria
eu nunca soube cantar
mas sempre tive mania
nunca brinquei carnaval
e nem saí da folia
nunca pulei a fogueira
e nem dancei a quadrilha
Eu nunca amei a ninguém
nunca devi um vintém
nem encontrei minha trilha
Eu me perdi muito além
sendo meu próprio refém
na solidão de uma ilha


In: CACASO. Mar de mineiro: poemas e canções. Fotos de Pedro de Moraes. Il. Malena Barreto. Rio de Janeiro: Grafit Gráf. e Impressos, 1982. Poema integrante da série Papos de Anjo da Guarda.

NOTA: Música de Carlinhos Vergueir
6861
5

Gu do TMEC
lido
10/novembro/2015

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