Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.

1886-04-19 Recife, Pernambuco, Brasil
1968-10-13 Rio de Janeiro, Brasil
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Comentário Musical

O meu quarto de dormir a cavaleiro da entrada da barra.
Entram por ele dentro
Os ares oceânicos,
Maresias atlânticas:
São Paulo de Luanda, Figueira da Foz, praias gaélicas da Irlanda...

O comentário musical da paisagem só podia ser o sussurro sinfônico da vida civil.

No entanto o que ouço neste momento é um silvo agudo de sagiúim:
Minha vizinha de baixo comprou um sagiim.
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Harlei Cursino Vieira
A afirmação de que Manuel Bandeira é a ponte entre Machado de Assis e o Modernismo por tê-lo conhecido pessoalmente é uma simplificação que mistura um fato biográfico com a crítica literária. O Encontro Pessoal Manuel Bandeira de fato teve um breve encontro casual com Machado de Assis em um bonde (ou trem, dependendo da fonte) no Rio de Janeiro quando Bandeira ainda era um menino, por volta dos dez anos de idade. Ele relatou o episódio em suas memórias, descrevendo como recitou uma oitava de "Os Lusíadas" para o mestre, que havia esquecido as palavras exatas, o que lhe causou grande orgulho. Mais tarde, na velhice, Bandeira teria confessado que a história tinha elementos de "mentirinha" ou embelezamento poético, embora um encontro tenha ocorrido. A "Ponte" Literária A ideia de Bandeira ser uma "ponte" entre os dois períodos (Realismo/Parnasianismo de Machado e o Modernismo) é uma metáfora crítica que reflete sua importância na transição literária, não apenas o encontro casual: Influência e Ruptura: A obra de Bandeira, embora com traços iniciais do Parnasianismo e Simbolismo, é crucial para o Modernismo. Ele adotou o verso livre, a linguagem coloquial e temas do cotidiano, rompendo com o formalismo tradicional que dominava a poesia na época. Apreciação de Machado: Bandeira admirava Machado de Assis e escreveu crônicas sobre ele, reconhecendo a genialidade do romancista, mas também notando que a poesia de Machado ficava em segundo plano em comparação com sua prosa. Papel no Modernismo: Bandeira foi uma figura chave da Primeira Fase do Modernismo brasileiro (Geração de 1922) e seu poema "Os Sapos" foi lido na Semana de Arte Moderna, ridicularizando o Parnasianismo e consolidando a nova estética. Portanto, a "ponte" é mais sobre a inovação estética e a transição geracional que sua obra representa do que o encontro físico, que foi um episódio biográfico interessante, mas sem impacto direto na continuidade ou ruptura dos estilos literários.
30/dezembro/2025

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