AurelioAquino

AurelioAquino

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

1952-01-29 Parahyba
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odes animais e variados informes

I
 
a raposa

pulsa o pânico

e engatilha o mêdo
em trânsito
 
ergue a vida

em decúbito

e alinhava a paisagem
quase em susto
 
II
 
de ser elefante
saiba-se escândalo
de carnes, paciência
e espanto
 
anônima tonelada
sonhe nos quilos já leve
os átomos frugais

de paquiderme
 
e arquitete a tromba
como andaime inato

de construir a paciência
no meu olho raso
 
III
 
garça já não seja
apenas tanto pássaro
mais um pedaço urgente
de beleza
 
lírica não esteja

gravada apenas lúdicamente
nas costas da natureza
 
IV
 
albatroz

não se infinite
como um verbo desgarrado
da laringe
 
teça seu vôo

em pauta mais unânime

e reverta meu sonho em desalinho
do tamanho exato do meu sangue
 
V
 
formiga

ninguém se obriga
a subir a vida

em descida
 
minúscula

ninguém escuta

nos trovões do peito
a maciez da luta
 
VI
 
quando tigre

raie a madrugada

no limite mais incauto
de toda sua plástica
 
e flua fartamente
qualquer sonho exausto
nos dias que se arquivam
nas paredes do seu salto
 
VII
 
mesmo leão

não me disponha

a permitir que me perca
em tudo que é sonho
 
e cultive o rugido

com pertinácia e conseqüência
em cada e qualquer grito

que parta da consciência
 
VIII
 
se tão corcel

palmilhe a estrada

com a vasta sofreguidão
da madrugada
 
e revolva caminhos
por quem andara
renhida a solidão
de quem não para
 
IX
 
assim rinoceronte
me custe a carapaça

em me cobrir de passos
amarrotados nos sapatos
 
e me construa lídimo
apesar de gasto

e que me seja tanto
apesar de parco
 
X
 
e adredemente humano
me rascunhe no horizonte
com os traços que a luta
escreva no meu sangue   
 
 
 
 
 
 
 
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