TODO AMOR
Todo amor é uma história
mal contada ou vivida;
é a mais pura verdade
ou uma grande mentira;
é um conto de fadas,
uma história engraçada
ou sofrida;
é partida esperada,
um punhado de nada
e muita lida;
é a mais doce calma
ou a mais bruta briga;
é o silêncio noturno,
caminhar no escuro;
é sorriso, é lágrima;
é andar pela estrada
sem saber da chegada;
é a procura incessante;
é viver cada instante;
é esperar pela noite,
é temer pelo dia;
é correr abraçado;
é olhar para o lado
e ver sua companhia;
questionar o seu hoje
e lembrar do seu ontem,
fazer planos futuros;
é andar sobre o muro
arriscando ser vítima;
é uma roupa estendida,
uma outra passada;
é comida queimada;
é a fé recolhida;
é sinônimo de um
vezes o outro;
é também desconforto;
é uma dor esquecida;
é lembrança de casa,
é tarde demorada;
é saudade que habita;
é olhar sobre os ombros,
o abraço mais longo;
é querer redobrado;
é menino levado,
um ou outro que grita;
é a calma de antes;
é o livro na estante;
é poltrona na sala
e TV colorida;
é barriga pra fora;
é correr contra a hora,
esquecer o bom-dia;
é um dia, quem sabe;
é talvez seja tarde;
é uma bela amizade
ou uma eterna intriga.
Todo amor é, enfim,
uma enorme vontade;
é começo, é fim,
é uma realidade.
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