ÁGUA-ARDÊNCIA [Manoel Serrão]

O corpo o copo e o corpo.
O copo o corpo e o copo.
O corpo o corpo e o copo.
O copo o copo e o corpo.
O corpo entre os copos
O copo entre os corpos
O corpo estranha à sede.
O álcool entranha o copo.
O corpo estranha o álcool.
A sede entranha o copo.
O corpo os copos e os corpos.
O copo os corpos e os copos.
O copo entre o corpo não é copo.
O corpo entre o copo não é corpo,
O copo da sede estranha da água.
O corpo da água entranha o álcool.
A água no copo liberta o corpo, decapa o ar regressa ao corpo.
A água no corpo é parte do corpo, o álcool no copo é parte do fogo.
A água no copo é preciosa no corpo, impregna e medra dos poros.
O álcool no copo estimula e no corpo deprime.
O álcool no corpo causa euforia e desinibe.
O álcool no corpo descontrola, e descoordena.
Cada boca tem a sua sede no ser aposto do copo?!
Cada copo tem a sua sede no ser aposto do corpo?!
O corpo livre estranha alegre o tédio do copo.
O copo mudo sonha com o álcool na boca do copo.
O corpo são sonha livrar-se da morte,
E o copo a copo em vão duvida da sorte.
A água e o álcool os ambíguos positivos da substância carnal!
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