

Wildiley Barroca
Poeta, Jurista e observador do quotidiano, vem colaborando regularmente em revistas e jornais nacionais e estrangeiros, com trabalhos na Revista Batê Mon e nos jornais digitais do país e do estrangeiro.
Coruja!
Coruja benigna ou maldita,
quem tu és?
Pela noite dentro, quotidianamente,
recebemos — com gracejo e certo temor —
a tua visita em dias de tornado.
Oh, coruja!
Que procuras no alento das nossas vidas?
Que espias pelos cantos amargos da terra,
nas noitadas vivas e mornas de segunda-feira?
Que espias na travessia do tempo
Os nossos sentimentos amargos de tempo em tempo?
Oh, coruja!
Quem tu és?
Inimigo amaldiçoado da sorte,
aquele que expurga almas e conduz à morte;
mas que, em dias de ventura, vem tão forte,
apenas para uma visita sem rumo, sem norte.
Mas oh, coruja,
benigna ou maldita…
quem tu és?
Que fazes na calada da noite,
em passeios vacilantes, trazendo maldições à meia-noite?
Trazes tetos rasgados de sensação incerta,
que mal me permite desejar-te boa noite?
Que fazes tu?
Afinal, quem tu és?
Oh, coruja,
benigna ou maldita,
haveremos de descobrir —
no silêncio dos tempos,
e de todos os tempos —
o porquê desta cina
que recai sobre nós em tão pouco tempo.
— In Chácara, São Tomé, 2016
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