

AurelioAquino
Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.
1952-01-29 Parahyba
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Rondó dos Orixás
I – de onde é possível Exu e sua encruzilhada
a energia
incide
naquilo que é possível
em cada lide
arma e desarma
o simples carma
de fazer impossíveis
pela alma
Exú é um exército
de todos os eus
e de todos os outros
em que se arma
a encruzilhada
é só um jeito
de lançar a liberdade
dentro do peito
Exú estendido
à contraluz
e só um desejo de mim
que me conduz
II – Ogun exército de todos
A energia
agride
todos os caminhos
que permite
e dos passos
alavancados
na força de uma paz
amordaçada
Ogun constrói insone
todas as estradas
as que dão em mim
as que dão em nada
porque vivê-lo
é sempre
deixar-se na batalha
III – Oxossi flecha num futuro pleno
a energia
engravida
na fartura de Oxossi
pela vida
a mata é apenas bandeira
de tremular a paz
na noite brasileira
e dançando
em todos os seus trilhos
o mundo se esconde
de seus esconderijos
IV – Ossain inventa a folha e borbulha
A energia
explica
o verde da terra
de sua notícia
da manhã das folhas
assim declaradas
invente-se a sassanha
do mundo e das madrugadas
é que o tempo
é só esconderijo
das naturezas que inventas
pelo meu juízo
V – Oxumaré inventa o infinito
A energia
expande
a grandeza dos mundos
que tange
arco-íris
nem te poupas
em desfazer as manhãs
com que me ocupas
Oxumaré
guarda em si
os passos do infinito
de que me vesti
VI – Omolu planta a terra no seu grito
A energia
atesta
a profundidade da terra
em sua gesta
tudo que lhe saiba
é só um texto
com palavras que inventa
pelo meu silêncio
meus pés te pisam
nos sonhos que comento
e sentem teu abraço telúrico
nos ombros dos tempos.
VII – Obá luta seu destempo
A energia
avança
obá luta em tudo
sua esperança
perdida
no vão de sua dor
inventa-se guerreira
de todo desamor
VIII – Ewá ilude a tarde
A energia
espreita
nos ombros da tarde
os mistérios da deusa
lúdica
e sempre dançarina
Ewá transgride
sua própria sina:
a de parecer-se noite
com jeito de menina
IX – Xangô explode no tempo
A energia
incendeia
todas as vias
todas as veias
Xangô caminha
trovoando a vida
e inventa-se no tempo
de suas desmedidas
e laça a razão dos homens
pelas avenidas
X – Iansan navega o vento
a energia
explode
todas as manhãs
de quem se move
o vento
despenteia a vida
e Iansan passeia
todas as medidas
XI – Logunedé enlaça a vida
A energia
espelha
toda a natureza
com o jeito da beleza
Logunedé passeia
todas as manhãs
em suas teias
enquanto seus encantos
as ruas incendeiam
XII – Oxum penteia o tempo
A energia
clareia
todos os rios da alma
em que se penteia
Oxum, em seu abebé, espreita
todos os metros da vida
em que se enfeita
é que se dá a uma razão
que a todos incendeia
XIII – Iemanjá laça os mares
A energia
nada
todos os mares e filhos
que prolata
Iemanjá nem suspeita
as áfricas todas que leva
em suas tetas
é que rio
sempre desagua
no mar absoluto
de sua calma
XIV – Nanã na paz da origem
A energia
é lama
tudo que da paz
Nanã inflama
onda de danças
origem de tempos
o orixá é jeito
de conter o pensamento
XV – Oxalá, construtor de horizontes
A energia
aplaca
todos os mares
da alma
Oxalá sorrindo
só constata
a exata rebelião
da calma
jangada de tudo
inventa horizontes
como se tivesse hoje
todos os ontens.
a energia
incide
naquilo que é possível
em cada lide
arma e desarma
o simples carma
de fazer impossíveis
pela alma
Exú é um exército
de todos os eus
e de todos os outros
em que se arma
a encruzilhada
é só um jeito
de lançar a liberdade
dentro do peito
Exú estendido
à contraluz
e só um desejo de mim
que me conduz
II – Ogun exército de todos
A energia
agride
todos os caminhos
que permite
e dos passos
alavancados
na força de uma paz
amordaçada
Ogun constrói insone
todas as estradas
as que dão em mim
as que dão em nada
porque vivê-lo
é sempre
deixar-se na batalha
III – Oxossi flecha num futuro pleno
a energia
engravida
na fartura de Oxossi
pela vida
a mata é apenas bandeira
de tremular a paz
na noite brasileira
e dançando
em todos os seus trilhos
o mundo se esconde
de seus esconderijos
IV – Ossain inventa a folha e borbulha
A energia
explica
o verde da terra
de sua notícia
da manhã das folhas
assim declaradas
invente-se a sassanha
do mundo e das madrugadas
é que o tempo
é só esconderijo
das naturezas que inventas
pelo meu juízo
V – Oxumaré inventa o infinito
A energia
expande
a grandeza dos mundos
que tange
arco-íris
nem te poupas
em desfazer as manhãs
com que me ocupas
Oxumaré
guarda em si
os passos do infinito
de que me vesti
VI – Omolu planta a terra no seu grito
A energia
atesta
a profundidade da terra
em sua gesta
tudo que lhe saiba
é só um texto
com palavras que inventa
pelo meu silêncio
meus pés te pisam
nos sonhos que comento
e sentem teu abraço telúrico
nos ombros dos tempos.
VII – Obá luta seu destempo
A energia
avança
obá luta em tudo
sua esperança
perdida
no vão de sua dor
inventa-se guerreira
de todo desamor
VIII – Ewá ilude a tarde
A energia
espreita
nos ombros da tarde
os mistérios da deusa
lúdica
e sempre dançarina
Ewá transgride
sua própria sina:
a de parecer-se noite
com jeito de menina
IX – Xangô explode no tempo
A energia
incendeia
todas as vias
todas as veias
Xangô caminha
trovoando a vida
e inventa-se no tempo
de suas desmedidas
e laça a razão dos homens
pelas avenidas
X – Iansan navega o vento
a energia
explode
todas as manhãs
de quem se move
o vento
despenteia a vida
e Iansan passeia
todas as medidas
XI – Logunedé enlaça a vida
A energia
espelha
toda a natureza
com o jeito da beleza
Logunedé passeia
todas as manhãs
em suas teias
enquanto seus encantos
as ruas incendeiam
XII – Oxum penteia o tempo
A energia
clareia
todos os rios da alma
em que se penteia
Oxum, em seu abebé, espreita
todos os metros da vida
em que se enfeita
é que se dá a uma razão
que a todos incendeia
XIII – Iemanjá laça os mares
A energia
nada
todos os mares e filhos
que prolata
Iemanjá nem suspeita
as áfricas todas que leva
em suas tetas
é que rio
sempre desagua
no mar absoluto
de sua calma
XIV – Nanã na paz da origem
A energia
é lama
tudo que da paz
Nanã inflama
onda de danças
origem de tempos
o orixá é jeito
de conter o pensamento
XV – Oxalá, construtor de horizontes
A energia
aplaca
todos os mares
da alma
Oxalá sorrindo
só constata
a exata rebelião
da calma
jangada de tudo
inventa horizontes
como se tivesse hoje
todos os ontens.
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